«O louco não é um homem que perdeu a razão. O louco é um homem que perdeu tudo exceto a razão.» (G. K. Chesterton)A loucura quando se torna norma social se vê obrigada pelos seus adeptos a se impor mesmo no menor dos vilarejos e ao mais comum e "irelevante" dos homens: o homem comum. Disse Ronald Reagan certa vez que «Toda grande mudança [na América] começa ao redor da mesa de jantar», e os lunáticos entendem bem essa verdade pois sabem que se convencerem as famílias a tornar a mesa de jantar num campo de batalha é nisso que se transformará a sociedade.
Os lunáticos são chamados desse modo não porque vivem "no mundo da Lua", mas porque, desviando os olhos do Sol (cuja luz é muitas vezes difusa e enceguecedora), veem como mais agradável observar a bem definida e atraente Lua. Esquecem eles - voluntária ou involuntariamente - que a Lua, contudo, não tem luz própria mas deriva todo o seu brilho da luz solar.
E assim é a loucura: não é negar a verdade, mas elevar uma verdade e utilizá-la como cavalo de batalha para obscurecer outras verdades mais fundamentais. Porém, do mesmo modo como o homem moderno é o único a ser "iluminado" pela luz da ciência, se colocando - ao seu ver - acima dos obscurantistas medievais, ele também é o único em seu tipo particular de loucura.
Diz um provérbio chinês que «Quando o sábio aponta para a lua, o idiota olha para o dedo» e o homem moderno, chafurdado em sua própria idiotice, de fato é obcecado pelo dedo. Após destruir todas as estruturas fundamentais da sociedade, cria ele próprio novas estruturas amorfas (porque a forma será dada posteriormente, a seu bel prazer).
"Amemos a verdade, amemos a ciência!", diz ele.
"Questione tudo!", continua.
"Seja tolerante!", por fim conclui.
E seu ponto de vista se desmorona enquanto ele range os dentes e aperta os dedos em angústia diante do menor questionamento. A solução é impor seu contraditório ponto de vista e confiar nas autoridades que ele próprio criou, visto que a bolha que o protege pode ser estourada com o menor cutucão.
Algo tão fundamental como o conhecimento do outro por meio de seu rosto descoberto é tido como acessório se não mesmo desnecessário. Brada o homem moderno de um lado de sua boca "Use a máscara! Salve vidas!", enquanto o outro vomita "Meu corpo, minhas regras! Isso que está dentro do ventre não é uma criança!". Ele se orgulha de crer que a moralidade é relativa, ao mesmo tempo em que se ira com a imoralidade daqueles que discordam de seus torpes ideais. Aboliu a religião entregue a eles pelos seus pais e criou ele mesmo a sua própria, com sistema sacramental, magistério e até mesmo sumos sacerdotes.
Em vez de separar os objetos abençoados para o culto divino, separa seu lixo em cestos de cores distintas, pois é assim que trará salvação ao mundo decaído. Eis que surge um problema na interpretação do mundo: "Não se preocupe", diz ele, "confiemos em nossos especialistas!". Caso nem eles sejam suficientes, há figuras como Anthony Fauci para emitir uma bula sobre o assunto e resolver de vez a disputa. Há até mesmo deuses e regime alimentar, pois os sagrados animais não devem ser consumidos e devemos todos nos tornar veganos. O fato de a palavra dever implicar uma prescrição moral (as quais o homem moderno aboliu) é uma simples pedra de tropeço e esse detalhe pode simplesmente ser ignorado.
Contudo, não se esqueça: nenhuma religião carece de sacrifício e, nas palavras de Chesterton, «Onde quer que haja adoração de animais, ali haverá sacrifícios humanos.»
Triunfante, o homem moderno decide realizar o assassinato supremo: o da própria Verdade. Para aquele que se vê permitido em acreditar na absurdidade do racionalmente contraditório, a Verdade é uma inimiga. Deus, na pessoa de Jesus Cristo, se coloca como «O Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14, 6) e o homem moderno, na pessoa de seu profeta Nietzche clama «Deus está morto!».
E qual é a esperança em meio a esse caos? É que a Verdade já foi morta anteriormente. No entanto, Ela continua Viva, pois conhece o caminho para fora da cova.
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