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terça-feira, 18 de agosto de 2020

FALÁCIAS DE CADA DIA... (por Igor Gaviano)

A falácia ad hominem dispensa apresentações, apesar de ser utilizada virtualmente em todas as discussões neste tempo.

Para aqueles que talvez não estejam familiarizados com ela, se trata de atacar o caráter de uma pessoa em vez de refutar os argumentos que ela apresenta.

Pensemos em um exemplo:

(Falante A): "Olha, particularmente, eu penso que usar drogas ilícitas seja errado e deva haver sanções legais para isso"

(Falante B): "Mas eu não te vi xingando sua mãe outro dia? Me poupe, não vou levar alguém assim a sério"

Acho que o que o exemplo ilustra bem é o fato de que, apesar de ter um peso retórico imenso, o segundo falante não fez nada para refutar o posicionamento do primeiro. Na verdade, mesmo que o segundo falante estivesse completamente correto, e mesmo que o primeiro realmente fosse culpado do que ele acusa, isso em nada impacta no argumento que está sendo oferecido.

E o que eu queria discutir, e a imagem do post ilustra bem, é um modo particular da falácia ad hominem, denominada tu quoque.

Olhe o seguinte diálogo:

(Falante A): "Olha, eu acho que fumar seja extremamente prejudicial à saúde"

(Falante B): "Ei, espere um momento! Mas você é o maior fumante que eu conheço. Não vou te levar a sério, você deve estar errado"

Claramente se trata de uma falácia ad hominem, mas com o aspecto particular de declarar uma pessoa uma hipócrita para assim, tentar descredibilizar seus argumentos.

Como o próprio nome diz, se trata de uma falácia, sem peso argumentativo algum. E se combinássemos de parar de usá-la e discutir coisas que realmente importam?

3 comentários:

  1. Olá, Igor

    Quando se trata de falácias estamos entrando no campo da Lógica. Existem muitos mais casos do que os que você usou como exemplo. O prof. Fábio Salgado já falou que "não existe um procedimento algorítimico, finito, para que a gente determine quem ganhou ou quem perdeu a discussão".

    "...Quando a gente tem em vista os contextos especificamente, uma falácia pode ser salva. Algo que é tido por falácia em certo contexto, pode não ser falacioso em outro. Por exermplo: uma pesso que diz que é um bom retórico, "sou um grande orador", e você fala que ela é fanha e gaga. Com relação ao argumento 'ad hominem', isso seria falacioso? Não seria, porque presupõe-se que uma pessoa que é um bom orador não seja fanha e gaga..." (Fábio Salgado de Carvalho)

    O prof. Fábio sempre chama a atenção para o fato de que poucas pessoas estudam a Lógica Clássica e a Lógica Moderna. Procure o prof. para ter uma boa orientação.

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    Respostas
    1. Anônimo

      Você diz:

      "não existe um procedimento algorítmico, finito, para que a gente determine quem ganhou ou quem perdeu a discussão"

      Isso é verdade, mas se uma das partes tem um argumento falacioso, ela já perdeu a discussão antes mesmo que se analisem as premissas (já que o argumento dela não é válido).

      E continua:

      Algo que é tido por falácia em certo contexto, pode não ser falacioso em outro. Por exemplo: uma pessoa que diz que é um bom retórico, "sou um grande orador", e você fala que ela é fanha e gaga. Com relação ao argumento 'ad hominem', isso seria falacioso? Não seria, porque presupõe-se que uma pessoa que é um bom orador não seja fanha e gaga..."

      Esse caso não é um argumento ad hominem justamente porque, ao contrário de quando essa falácia é utilizada, o fato da pessoa ser fanha e gaga tem impacto direto na afirmação que ela fez quando disse ser uma boa oradora.

      Tome as duas seguintes situações:

      Falante A: Sou um bom orador
      Falante B: Não, você não é um bom orador porque é fanho e gago.

      Podemos resumir esse argumento na forma modus ponens:

      (1) Uma pessoa não pode ser gaga e fanha, ao mesmo tempo sendo uma boa oradora
      (2) A pessoa X é gaga e fanha
      (3) Portanto, a pessoa X não é uma boa oradora

      Esse argumento é logicamente válido e não é falacioso. Agora considere outro exemplo:

      Falante A: Sou um bom orador
      Falante B: Não, você não é um bom orador porque é feio e gordo

      E o argumento poderia ser resumido da seguinte forma:

      (1) Uma pessoa não pode ser feia e gorda, ao mesmo tempo sendo uma boa oradora
      (2) A pessoa X é feia e gorda
      (3) Portanto, a pessoa X não é uma boa oradora

      Esse argumento (formalmente falando), igualmente, é logicamente válido. Contudo, ele comete uma falácia ad hominem na medida em que conecta duas coisas sem vínculo lógico algum, a saber, o conceito de ser um bom orador e a aparência física da pessoa.

      O tipo de argumento a que eu estava tentando chamar a atenção no texto é o segundo, justamente porque, em meio a essas discussões sobre aborto e afins, muitas pessoas gostam de acusar os cristão de hipócritas, falsos e imorais, ao que eu respondi que, mesmo que tudo isso fosse verdade, isso não faz absolutamente nada para invalidar os argumentos oferecidos.

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