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sábado, 29 de agosto de 2020

O GRANDE PROBLEMA DA IGREJA OCIDENTAL (por Igor Gaviano)

católico jujuba (adj.) católicos mornos, que não se importam muito com a tradição da Igreja e às vezes a ridicularizam em prol de querer tornar a Igreja mais "moderna" ou "tolerante".

católico rad-trad (adj.)
católicos que racionalizam seus escrúpulos a ponto de colocarem a tradição da Igreja contra ela mesma. Tomam alguns problemas pertinentes no presente e os usam para invalidar tudo aquilo que consideram "modernista" ou "progressista".

Penso que, basta lidar com grupos católicos por nada mais que 30 minutos para distinguir quais indivíduos se encaixam em cada uma dessas duas categorias. Para deixar bem claro, as duas tomam problemas pertinentes, e as duas...

EXTRAPOLAM ELES PARA ALÉM DE SUAS CONSEQUÊNCIAS NATURAIS


A primeira delas toma o reto problema de que a Igreja não deve ser fechada em si mesma, mas deve pegar todos os tesouros de sua tão rica tradição, que construiu a civilização ocidental, e levá-los ao mundo. A missão principal da Igreja é evangelizar e, por mais errados que esses católicos mornos possam estar, sobre isso eles estão corretos. A heresia está no fato de que eles tomam gato por lebre e passam a inserir na Igreja uma mentalidade relativista.

Agora, a segunda delas toma o problema oposto. Observa todos os abusos litúrgicos, diluição de doutrina e complacência com o pecado trazidos pelos católicos jujubas e rejeita tudo aquilo que acredita ter sido consequência direta do maior mal do século XX (de acordo com eles), a saber, o Concílio Vaticano II. Que a posição é igualmente herética dispensa comentários.

Contudo, penso que católicos muito sensíveis em outras ocasiões observam esses dois grupos e, por medo de se encaixarem em qualquer um deles, acabam rejeitando justamente os aspectos positivos que eles trazem, tratando como se os problemas para os quais apontassem fossem ilusórios e invenções de suas mentes conspiracionistas. Não sejamos tolos...

NÃO HÁ NADA QUE SURJA DE UM VÁCUO


O problema que eu quero apontar neste post é justamente a alergia que alguns católicos (muito sensíveis, diga-se de passagem) têm a algumas palavras, tais quais: latim, batina e tridentina.

Para deixar bem claro, é um fato que as práticas litúrgicas se desenvolvem. A liturgia da Igreja não permanece a mesma mas, de acordo com as circunstâncias de tempo, local e cultura, mantendo uma essência comum ao longo dos séculos, se adapta aos fiéis que as frequentam.

Em meio a uma série de revoluções iniciadas por Martinho Lutero, por exemplo, a Igreja achou pertinente salvaguardar alguns aspectos essenciais da liturgia que estavam sendo descartados pelos ditos reformadores. Uma ênfase ainda maior foi posta sobre o sacerdócio católico, sobre a Santíssima Eucaristia e sobre a beleza e universalidade da liturgia.

Nos tempos modernos, percebeu-se que essa abordagem não fosse talvez a mais produtiva para disseminar os tesouros da tradição pelo mundo, e uma outra reforma litúrgica foi iniciada pelo Papa São Paulo VI.

Não deve haver dúvida que muitas falhas em sua implementação ocorreram, e não é herético ou dissidente admitir isso. Afinal, a Igreja passa por diversas crises e, por meio delas e a exemplo de seu Fundador, ressuscita e continua espalhando sua luz pelas eras. Todavia, com medo de ser categorizados como rad-trads, esses católicos outrora muito sensíveis muitas vezes...

DESCARTAM INJUSTAMENTE OS TESOUROS DE NOSSA TRADIÇÃO


Para entender meu ponto, basta observar a liturgia oriental. Ela permaneceu praticamente inalterada em sua essência e manteve muitos aspectos que os católicos ocidentais tendem a ver como "farisaicos" ou desnecessários hoje, tais como a beleza dos paramentos, a rigidez no cumprimento das rubricas e a comunhão exclusivamente na boca.

Assim, mesmo que não devamos nos apressar em julgar padres que não tenham uma grande afinidade pelo modo tradicional, visto que não nos encontramos em nosso lugar de dever para fazer isso (apesar que uma correção fraterna sempre é válida), igualmente, se queremos ser bons católicos, devemos SIM ter uma paixão pela língua tradicional da Igreja (como o documento Sacrosanctum concilium aponta em seu ponto 36, parágrafo primeiro), pela beleza e rigidez da liturgia e devemos preferir a comunhão na boca. Eu diria que não devemos, jamais, ter aversão pela Santa Missa na forma tradicional também.

Isso também significa que nunca devemos nivelar por baixo nossas práticas e, se couber a nós, devemos preferir por atitudes mais tradicionais e que se conformem à tradição contínua da Igreja (inclusive pós-conciliar, como idealizada pelos líderes do Vaticano II).

A Igreja Católica tem 2000 anos, não 60, e cabe a todos os lados entenderem isso.

Pax Christi


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